quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A Crise, os Governos e os Idiotas


A imagem ao lado é de outubro de 1929, mas bem poderia ser da semana passada.

Vítima de seus próprios erros, o sistema financeiro internacional entrou em um colapso que ainda está longe de ser revertido, apesar de declarações e ações bombásticas de Governos pelo mundo, muitas delas idiotas o bastante para ignorar os fundamentos da crise e outras idiotas o bastante para piorá-la.

Apesar de ser fruto de um intrincado sistema de engrenagens globais, tentaremos dar uma idéia da origem e desenvolvimento da crise financeira de um modo que possa ser melhor entendido, sem muito "economês" ou detalhes supérfluos.

A Origem da Crise

Segundo dizem, tudo começou ano passado com a famosa "crise do subprime" nos EUA. E o que seria subprime?

Bem, o neologismo se refere a, simplesmente, empréstimos imobiliários, ou seja, algo semelhante (mas muito diferente) do nosso sistema de "compra da casa própria".

Tradicional e historicamente, a classe média americana possui 3 dívidas que compõem o orçamento de qualquer família: a hipoteca da casa, a poupança para a Faculdade dos filhos e a prestação do carro. São tais dívidas que dão característica e sustentação ao sistema econômico básico norte-americano, representando, cada uma delas, fatores imprescindíveis ao seu bom funcionamento.

A hipoteca representa a segurança e o compromisso do americano médio. Segurança quanto ao que irá pagar pelos próximos muitos anos, a juros módicos (para os nossos padrões) de cerca de 2%-5% ao ano e compromisso de manter as prestações em dia, até porque, em caso de não pagamento, a retomada é imediata. Esse sistema hipotecário movimenta quantias astronômicas e sustenta bancos comerciais, de investimentos e hipotecários.

A poupança para a Faculdade dos filhos representa o poder de economizar dos americanos. Separando razoável quantia mensal para ser depositada em um fundo que irá garantir que seus filhos possam frequentar uma Faculdade, o americano médio coloca nos bancos quantias também astronômicas por, em média, 18 anos. Lembrem-se que não existem Universidades gratuitas nos EUA e quanto maior a fama e prestígio de uma instituição, mais alto o custo de se manter um filho lá. Muito graças a essa poupança, bancos dos EUA contam com reservas polpudas para aplicações em países emergentes (como o Brasil) ou onde lhes aprouver.

A terceira dívida, a prestação do carro, representa o que realmente faz com que a economia dos EUA seja a mais forte no mundo: o consumo. Para eles, índices como inflação, reajuste de aluguéis e outros tão importante para nós, simplesmente não existem. O que importa mesmo é o Consumer Confidence Index, ou Índice de Confiança do Consumidor, que baliza a maioria das ações estratégicas financeiras. Se o americano não compra, a economia lá quebra! Atrelado a isso existe o índice de desemprego, pois afinal desempregado não compra. Nada é mais importante pra a economia americana do que seu consumo interno, nem mesmo sua Balança Comercial, pois já desde 1976 que esta vem se mostrando negativa, alcançando um déficit de mais de 700 bilhões de dólares em 2007. Basicamente, toda a produção dos EUA se destina ao seu mercado interno, muito diferente do nosso Brasil, onde nossa balança comercial é sustentada por produtos primários como grão de soja, petróleo e minério de ferro.

Mas, voltemos ao subprime. Resumindo: são empréstimos imobiliários feitos a juros maiores que a média e destinados a pessoas sem histórico de crédito ou consideradas de "alto risco" creditício. De uma maneira geral, tais empréstimos são tomados por negros e latinos interessados em ingressarem no sistema de crédito americano, os quais também são os primeiros afetados pelo desemprego.

Controlado essencialmente por judeus, o sistema financeiro dos EUA ainda agrega um componente racista em seus empréstimos. Estudo da New York University, comentado no site Brazilian Voice, mostra que a questão racial é mais preponderante do que a situação econômica no caso do subprime:


"Os dados, avaliados pelo Furman Center for Real State and Urban Policy, ilustrou disparidades raciais nas vizinhanças de New York City, onde os empréstimos subprime podem ter juros mais altos, tarifas e multas. As 10 áreas que apresentaram taxas de juros mais altas foram justamente aquelas povoadas majoritariamente por negros e latinos, enquanto que as 10 áreas com os juros mais baixos foram aquelas que tinham caucasianos como maioria."


Tal componente racista não surpreende em um sistema controlado por um dos povos mais racistas da História da Humanidade, tendo chegado mesmo ao ponto de criarem um Deus único exclusivamente para eles e que exterminaria todos os demais povos, salvando apenas os hebreus eleitos.

A Bolha

Esse sistema subprime foi criado, obviamente, pelos Bancos para atraírem mais clientes, mesmo com o alto risco embutido. Animados com uma valorização episódica do valor dos imóveis anos atrás, muitos americanos (não só os negros e latinos) entraram no sistema atrás dos altos lucros que poderiam obter com a futura venda dos imóveis. Foi a chamada "bolha imobiliária", no fundo, um espetáculo de ganância de ambas as partes: dos Bancos em busca de mais clientes a juros altos, e dos americanos em busca de um lucro rápido e fácil. Resultado: o preço dos imóveis caiu, as hipotecas não foram pagas e todos quebraram!

O Efeito Dominó

Aí voce pergunta: e o que temos nós e o resto do mundo a ver com caloteiros americanos? Muito simples: com certeza já ouviu falar em "globalização", certo? Pois bem, muito do dinheiro dos Bancos norte-americanos está investido nos chamados "mercados emergentes" (Brasil, China, Rússia e Índia, entre outros) que oferecem altas taxas de juros e lucros atraentes. Com os prejuízos que tiveram com o calote interno, esses Bancos foram obrigados a sacar tal dinheiro desses mercados. Para se ter uma idéia, 20% do capital na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) tinham origem externa há 3 meses atrás, sendo a maior parcela por grupo de investidores. Não é de se estranhar que a retirada desse capital iria derrubar a BOVESPA ou qualquer outra Bolsa de Valores com tal grau de dependência externa.

E aí tudo veio abaixo. As primeiras quebras de Bancos de Investimentos nos EUA levaram a uma corrida bancária (o maior terror de banqueiros), com depositantes sacando poupanças e depósitos que tivessem. A Europa, como grande investidora nos EUA, acabou por sentir o calote "por tabela".

O Fim do Capitalismo?

A fim de tentarem conter o pânico geral, Governos de todo o Mundo anunciaram "pacotes" de socorro aos Bancos, sem no entretanto, anunciarem medidas regulatórias saneadoras que pudessem impedir futuras crises desse (ou de outro) tipo. Assim, o que estamos vendo nos dias que passam são anúncios de trilhões de dólares a serem injetados nos sistemas de créditos, trilhões esses oriundos de impostos dos cidadãos pelo Mundo afora. Governos anunciam a compra de ações de Bancos, ou mesmo do Banco como um todo, com dinheiro público. Entramos, portanto na Era da Intervenção Estatal na Economia, tão pregada por teóricos de esquerda e tão temida por defensores da Economia de Mercado.

"O Mercado se auto regula!" Era essa a frase preferida por neo-liberais ferrenhos defensores da Economia de Mercado. Tal frase nos parece muito idiota agora, quando, ao primeiro prejuízo, o "Mercado" recorre ao Estado de pires na mão, pedindo socorro e simplesmente desaparecendo com todo o lucro que obtiveram nos últimos anos, em alguns casos, lucros recordes e estratosféricos, como os dos Bancos brasileiros.

No meio da "zorra total", aparecem figuras bisonhas como o Primeiro-Ministro italiano Berlusconi a propor um "feriado bancário mundial" ou o nosso Presidente a dizer que "a crise é uma marolinha...".

A idiotice parece ter atingido até mesmo Governos europeus tradicionalmente racionais e responsáveis, como os da Alemanha, Inglaterra, França, Holanda e todos da zona do Euro. Ao comprarem a idéia do Governo dos EUA de estatizar bancos e injetarem dinheiro de impostos em um sistema falido, estão iniciando um processo que, além de não solucionar a crise, poderá decretar a morte de todo o sistema capitalista, sem que haja alternativa proposta para o mesmo (a não ser as mesmas sandices de sempre).

A Queda do Império Americano?

Economistas, em geral, não estudam muito a História, a não ser Keynes, Marx, Adam Smith e outros de sempre. Parecem não conhecerem quase nada da história do Império Romano, ou de Roma especificamente. Não atentam para o fato que o declínio de Roma se deveu muito mais a questões sociais do que a fracassos militares ou econômicos. "Invadida" por povos de todas as províncias conquistadas, Roma se tornou a primeira metrópole multi-étnica da História. Bárbaros, Cartagineses, Núbios, Galeses, Hispânicos e outros povos dirigiram-se à capital do Império e lá se tornaram cidadãos romanos, Generais e até Imperadores, causando mudanças substanciais no status quo e no dia-a-dia romano. Já não eram as tradicionais famílias que ocupavam postos chaves no Senado, nas Legiões ou na política. Eram "imigrantes" com culturas e tradições diversas das de Roma. Até mesmo a religião romana foi tragada por uma nova seita vinda de terras do Oriente.

Será que alguém nota alguma semelhança com os dias de hoje em um certo "Império"?

Finalizando, fica a pergunta: estamos vivendo uma crise financeira ou uma crise de inteligência?


Um comentário:

Claudia disse...

Acho uma injustiça comparar os EUA com o Imperio Romano. Este último teve méritos infinitamente maiores. Foi talvez realmente o único império que mudou a face do mundo. Cruéis, levaram 4000 anos de civilização (uma vez que incorporaram as riquíssimas culturas gregas e egípcias) aos povos bárbaros da Europa que eram muito mais cruéis ainda. Que cultura deixaram os drúidas e celtas? Nada! Os romanos pavimentaram as vias por onde floresceu a cultura européia. Na verdade, os povos conquistados foram percebendo que era uma grande vantagem serem colonizados pelos romanos, que, em troca de taxas, lhes levavam uma civilização muitíssimo mais adiantada. Como levaram 300 anos decaíndo fica difícil identificar uma causa precisa. Mas creio que foi mesmo o crescimento excessivo. Os EUA não têm o mérito dos antigos romanos. Outros povos não acham "bom negócio" serem ocupados por eles. Estão decaíndo sim, e têm consciência disso. Acho até que estão querendo isso, cansados de guerras que só lhes trazem custos e nenhum louro. Só repúdio mundial. Acho que a vitória de Obama é uma prova disso. Não tenho nenhuma antipatia pelos americanos, (reconheço neles grandes méritos), apenas por sua política de ocupação de países que não os atacaram diretamente, nem desreipetaram suas alianças militares.