sábado, 28 de junho de 2008

SOHO Descobre Seu 1500° Cometa

O SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) descobriu em 25 de junho seu 1500° cometa tornando-se o maior descobridor de cometas da História. Na verdade, o cometa foi descoberto por um astrônomo amador americano utilizando imagens enviadas pelo LASCO C2 (Large Angle and Spectrometric Coronograph), um dos 12 instrumentos a bordo do SOHO. Toda uma equipe de voluntários altamente capacitados está encarregada de analisar as imagens do LASCO e foi a responsável pela identificação dos 1500 cometas até agora.

O SOHO é um projeto de colaboração entre a ESA e a NASA criado para estudar o Sol desde o seu núcleo até a corona externa e o vento solar. Foi lançado em 2 de dezembro de 1995 de Cabo Canaveral por um foguete Atlas II-AS. É composto por 2 módulos: o de serviço, responsável pelo provimento de energia, telecomunicações e navegação e o módulo de carga onde se situam os instrumentos científicos.

O SOHO está situado no primeiro Ponto de Lagrange (L1) em uma órbita fixa entre o Sol e a Terra, a cerca de 1.500.000 Km do nosso planeta.

Atualmente, em conjunto com o sistema STEREO e o Hinode (Solar B), o SOHO fornece imagens de enorme importância para o estudo e entendimento das atividades solares e sua influência sobre a Terra. O Projeto S.I.L.I. exibe, em sua coluna à esquerda, imagens em tempo real do LASCO C2, LASCO C3 e do EIT 304 (Extreme ultraviolet Imaging Telescope at 304 Angstrom) do SOHO, bem como os índices estimados de Kp (atividade geomagnética) da NOAA. O relógio de ventos solares e fluxo de prótons é fornecido pelo TerraMagnetoScope (link em "sites inteligentes").

Infelizmente, a imagem deste 1500º cometa não é muito nítida e não a colocaremos neste artigo, mas pode ser vista na homepage do SOHO. Porém, em reconhecimento à importancia dos dados e imagens do projeto para a astronomia solar e ciências em geral, exibiremos uma pequena galeria com "O Melhor do SOHO".


Em janeiro de 2002 o LASCO C3 fez essas imagens exclusivas do cometa 96P/Machholz sendo atingido por enorme CME (Coronal Mass Ejection). Repare que o cometa é desviado de sua órbita normal e sua cauda altera seu formato devido ao impacto recebido.


No início de 2003, o cometa oficialmente identificado como C/2002 V1 e conhecido como NEAT causou furor ao ter sua passagem pelo Sol registrada pelo SOHO. Com a divulgação das imagens surgiram especulações de que seria maior que Júpiter, que seria o misterioso "Planeta X" e de que se chocaria com a Terra. Mais uma vez os alarmistas erraram pois essas imagens foram captadas após a máxima aproximação do cometa da Terra. Notem o seu brilho sem precedentes no SOHO e que sua órbita e formato não se alteram mesmo passando por algumas expressivas CMEs.

Em 2000, no final do milênio, época de alta atividade solar (reparem as CMEs), o "apocalíptico" alinhamento de 5 planetas foi registrado pelo SOHO/LASCO C3. Aqui podemos ver o trânsito de Júpiter, Saturno, Mercúrio e Vênus que alinharam com o Sol, juntamente com a Terra. Como de costume, o mundo não acabou.




Em janeiro de 2002 essa imagem feita pelo LASCO C2 mostra extrema CME que jogou mais de 1 bilhão de toneladas de matéria no espaço, a uma velocidade de milhões de Km/h.





Os leitores assíduos do Projeto S.I.L.I. devem ter percebido, desde meados de maio passado, o objeto brilhante exibido pelo LASCO C3 na coluna lateral. Trata-se de um trânsito superior de Vênus (quando o planeta passa "por trás" do Sol). A intensa luminosidade do planeta vizinho causa distorção na imagem captada gerando o "risco" horizontal visto.

Essas são apenas algumas das muitas imagens já disponibilizadas pelo SOHO, que muito vem colaborando para o desenvolvimento do conhecimento humano sobre o Sol e outros corpos celestes. Tendo em vista o efeito direto da atividade solar sobre a Terra, o estudo desses dados pode nos levar a melhor compreensão das alterações por quais passa nosso planeta. Recomendamos visitas frequentes e detalhadas ao site do SOHO (e de outros heliosatélites), que seja para se ter uma visão ampliada de tudo que nos cerca e nos afeta, por mais distante que esteja.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

2010: O ano que NÃO faremos contato - O Colapso da Internet

O calendário Maia prevê o fim do mundo para 2012, assim como outras previsões esotéricas. Alguns falam em asteróides ou cometas se chocando com a Terra por volta desse ano, mas a nova teoria catastrófica em voga na web é o colapso da Internet em 2010.

No Projeto S.I.L.I. procuramos analisar idéias, previsões ou teorias à luz dos fatos e de bases científicas comprovadas, portanto, vamos a eles.

Em 2004, Patrick Gelsinger, Diretor de Tecnologia da Intel, em uma conferência em San Francisco/California, disse que a Internet enfrenta o risco de colapso total devido a sua arquitetura ainda ser a mesma desde sua criação na década de 70. Gelsinger atribui ao enorme crescimento da rede em países emergentes o excesso de tráfego na rede até 2010. A reportagem foi publicada no jornal inglês The Guardian e analisada pela CGI/UNICAMP que afirma que, apesar da penetração da Internet na população mundial ser de apenas 10%, o registro de endereços IP já somam 70% do que a rede tem a oferecer (dados de 2004).

Já em abril desse ano, o Vice-Presidente da AT&T Jim Cicconi alertou para o mesmo colapso em 2010/2011, porém, atribui o futuro "apagão" à crescente quantidade de downloads de vídeos e uploads de imagens em conteúdos circulantes pela Internet. Segundo Cicconi, "a cada minuto são armazenadas 8 horas de vídeos no YouTube e as transmissões de TV Digital só irão aumentar o risco de colapso com milhões de clippings de vídeo de alta definição sendo postados na web", diz a reportagem do Estadão.

Todo esse aumento exponencial de dados na Internet causou a criação do termo exaflood por Bret Swanson, do Discovery Institute, em artigo publicado no Wall Street Journal em janeiro de 2007. O termo significa uma "enchente" de exabytes na web. 1 exabyte é igual a 1.000.000.000.000.000.000 de bytes e, segundo uma tese polêmica, 5 exabytes poderiam conter "todas as palavras já faladas pela humanidade em todos os tempos"

Bem, colocadas as teorias, vamos aos fatos. Sem dúvida, existe uma explosão crescimento da Internet em países em desenvolvimento. Segundo a Internet World Stats, de 2000 a 2008, o número de usuários cresceu 1.030% na África, 1.176% no Oriente Médio e 660% na América Latina e Caribe. O menor crescimento se deu na América do Norte (128%) até por neste continente 73% da população já ser usuária da rede.

Em números absolutos, a Ásia é campeã com 530.000.000 de usuários, o que representa apenas 14% de sua população, havendo ainda muito espaço para expansão, principalmente na China. Em todo o mundo seriam mais de 1,4 bilhões de usuários (21% da população mundial) e um crescimento médio de 290% nos últimos 8 anos.

Na América Latina os campeões de crescimento foram a República Dominicana (3.700%) e Guatemala (1.930%), mas em números absolutos o Brasil está em 1° lugar com 42,6 milhões de usuários (crescimento de 752%).

[Alguns números interessantes podem ser vistos nesse site, como o crescimento de 53.400% da Internet no Afeganistão!! De 1.000 usuários no ano 2000 aquele país pulou para 535.000 em 2008! Estarão as tropas americanas de invasão levando suas M-16 wireless para as montanhas desertas afegãs? Ou terá a Al-Qaeda recrutado mais de 500.000 internautas??]

Em termos de tráfego na Internet, o Internet Traffic Report é o site mais utilizado para se acompanhar o comportamento da rede em tempo real, ainda que deficiente quanto a quantidade de routers monitorados. Este articulista utiliza o ITR há mais de 6 anos e vem notando uma alteração constante nos padrões de "tempo de resposta" e de "pacotes perdidos", bem como nos índices mostrados na página inicial os quais costumavam apresentar valores próximos de 90 para a Europa e Ásia, bem diferentes dos atuais.

Portanto, duas argumentações usadas por Gelsinger e Cicconi parecem ter sido comprovadas: a escala astronômica do crescimento da rede e aumento do tráfego de dados já causando alguma lentidão ("engarrafamento"?). Assim, não soam de todo absurdas as teorias de colapso total em 2010/2011, mas é importante se levar em conta que aqueles que levantam tal hipótese são executivos de grandes corporações de informática e telecomunicações e ambos apontam como solução o investimento bilionário na Internet o que, obviamente, os favorecerá.

Será esse "alerta" de colapso da Internet mais um hoax como o do "bug do milênio" (ou Y2K). Atentem para o fato de que, se não houve colapso total de computadores na passagem de 1999 para 2000, muito se deveu ao que foi investido nos 3 anos anteriores em modificações dos relógios internos das CPUs. Ou será que o aviso de saturação da web esconde a mesma guerra de interesses presente no alarmismo do aquecimento global antropogênico?

sexta-feira, 6 de junho de 2008

2008 LD: Novo Asteróide só é descoberto após passar pela Terra

Não era nenhuma ameaça de extinção da vida no planeta com seus apenas 5 metros de comprimento e cerca de 200 toneladas de peso, mas o interessante sobre o asteróide 2008 LD é que foi descoberto no dia 2 de junho de 2008, 1 dia após ter passado bem perto da Terra.





O 2008 LD passou bem mais perto que o 2007 TU24 que tanta polêmica causou em fevereiro, porém, certamente por sua descoberta tardia, não gerou o clima de histeria verificado no início do ano.

Algumas características do 2008 LD:

  • Massa: 2,2 e+05 Kg
  • Diâmetro Estimado: 4,3 - 9,6 m
  • Distância: 0,0029 AU (aprox. 434.000 Km) - 1,1 LD (Lunar Distance)
  • Velocidade Relativa: 4,33 Km/s

A probabilidade de impacto foi posteriormente calculada em 5,0e-05, algo muito pequeno mas mesmo assim a maior probabilidade calculada até o ano de 2108, conforme a Earth Impact Table do NEO Program/JPL/NASA.

Devido ao seu tamanho e massa, caso entrasse na atmosfera terrestre, muito provavelmente o 2008 LD seria reduzido a dimensões que causariam danos pouco expressivos (se algum) ou mesmo seria pulverizado, dependendo de sua constituição (desconhecida).

Dois fatos ficaram comprovados com essa descoberta tardia:

  1. Apesar de toda a tecnologia em terra e no espaço (observatórios e satélites), a humanidade ainda não está preparada para enfrentar as ameaças dos NEOs (Near Earth Objects);
  2. Fica confirmada a máxima de "o que os olhos não veêm, o coração não sente". Mesmo que tivesse colidido com a Terra, o 2008 LD provavelmente não teria sido notícia ao cair no mar. Tendo sido descoberto apenas após sua maior aproximação, nem mesmo foi notado.

Para os que quiserem acompanhar as "pedrinhas" que rondam a Terra, recomendamos o site do NEO Program e seus links internos. Ao menos não seremos os últimos a saber se algum desses pedregulhos cair na nossa cabeça.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Imprensa e Internet: Destinos Iguais?

A Imprensa

Quando, no século XV, Johannes Gutenberg imprimiu sua famosa Bíblia, foi criada uma nova era de disseminação do conhecimento e das idéias. Apesar de não poder ser atribuída a ele a concepção de impressão em si, suas invenções e aprimoramento dos tipos, tintas e prensas permitiram que manuscritos com conhecimentos monopolizados pela Igreja Católica se transformassem em livros impressos em massa. A impressão de panfletos faziam circular entre a população da Europa novas idéias políticas, religiosas e sociais. O que antes era passado oralmente, passou a ser divulgado, em grande escala, em papel.

O surgimento da Imprensa mudou radicalmente a História das sociedades. Os ideais da Revolução Americana de 1776 atravessaram o Oceano Atlântico em jornais e folhetos, inspirando os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade da Revolução Francesa. Lenin e Trotsky utilizaram o Pravda para propagarem conceitos socialistas que culminaram com a Revolução Russa.

Da mesma forma como democratizou o conhecimento e a divulgação de idéias através dos livros, a Imprensa também serviu à manipulação das massas implementada por regimes ditatoriais, principalmente por meio de Jornais. O livro impresso tem a característica de ter as idéias ali expressas imunes a alterações por terceiros, e se perenizam ao longo dos tempos, ainda que possam ser combatidas, discutidas ou, eventualmente, revistas. Já os jornais, por serem periódicos, estão sujeitos a mudanças várias, sejam por imposições econômicas, políticas ou sociais.

Passada a euforia inicial com o invento de Gutenberg, a Imprensa começou a gerar descontentamentos em vários setores do Poder. Primeiro foi a Igreja, grande prejudicada pela quebra do monopólio do conhecimento, que passou a condenar autores e livros como hereges. Logo em seguida foram os monarcas - e as monarquias - que se viram ameaçados. Assim surgia a Censura.

Desde o início, a imprensa tradicional foi alvo de censuras e o é até os dias de hoje. Idéias novas (e mesmo antigas) são sempre uma ameaça aos detentores de Poder. A Censura, ou o controle do Conhecimento, pode se manifestar de várias formas, desde as violentas até as dissimuladas. Já tendo controlado praticamente todos os jornais, os nazistas promoveram a "grande queima de livros", quando, no dia 10 de maio de 1933, foram queimadas em praça pública, em várias cidades da Alemanha, as obras de escritores alemães inconvenientes ao regime.

De outro modo, a doutrina capitalista alcançou também a área literária e jornalística, com isso, livros de conhecimento são substituídos pelos de fácil vendagem e "proibidos" à maioria da população por seus altos preços. Da mesma forma, jornais diários repetem incessantemente temas como desastres, mortes, guerras, corrupções, tragédias pessoais e coletivas e todas as demais facetas da miséria humana, intencionalmente ou não, fazendo com que as pessoas se "conformem" com tais acontecimentos como se fossem naturais e inevitáveis, enquanto omitem a maioria das descobertas científicas e idéias contrárias às suas políticas editoriais.

A Internet

Mesmo tendo sua origem em uma rede de computadores militares - a ARPANet - a Internet foi, sem dúvida, um enorme avanço no conceito, na democratização e na tecnologia da Imprensa, ou se preferirem, dos meios de comunicação. Associado a acessibilidade dos PCs, o crescimento exponencial da rede mundial de computadores pode ser considerado como o evento mais marcante dessa virada de milênio.

Primordialmente ocupada por jovens estudantes de tecnologia e adeptos da contracultura - os chamados hackers - a Internet foi rapidamente adotada por pessoas em todo o mundo como uma forma de comunicação e de obtenção de conhecimentos muito mais rápida e eficiente do que rádio-amadores, correios, televisão, livros, jornais, etc.

A Censura

Porém, assim como aconteceu com a Imprensa, já surgem atitudes e idéias de censura na rede. A rápida popularização da Internet não foi acompanhada por igual desenvolvimento da civilização, o que já vem provocando conflitos entre a liberdade de expressão individual e a responsabilidade social. Infelizmente, a mente humana ainda não conseguiu se adaptar à tecnologia. Sendo usada por pessoas de todas as classes sociais e culturais, a Internet passou a desempenhar um papel na civilização muito maior do que aquele para a qual fora concebida e, por ser uma rede mundial, inevitavelmente causou choques culturais diversos. Já são evidentes em Foruns e grupos de discussão as práticas de censura por moderadores e proprietários, os quais criam suas próprias regras segundo suas próprias crenças. Outros modos de censura vêm se disseminando pelo mundo virtual, descaracterizando a Web como uma comunidade aberta. Seguem alguns exemplos:

O mapa ao lado foi elaborado pela OpenNet Initiative e mostra a situação da censura à Internet pelo mundo. O site também aponta várias violações à liberdade de expressão em vários países, em destaque a China. É importante notar que, afora a censura oficial (aquela perpetrada por governos) existem várias outras tentativas de censura conduzidas por corporações que tenham seu interesse econômico ameaçado. Sob alegações de ameaças de terrorismo, pedofilia, direitos autorais, invasão de privacidade e/ou outras de cunho jurídico, econômico ou político, se esconde sempre interesses de manutenção de Poder ou do status quo.

Infelizmente, o mundo virtual não se diferencia muito do mundo real nesta questão. O conceito de censura está dentro de cada ser humano, em maior ou menor grau. Quando moderadores censuram posts em Forums não estão agindo muito diferente de qualquer governo que bloqueie acesso à sites ou blogs, ou a juízes de Direito que obriguem a retirada de comunidades no Orkut, ou ao Pentágono que considera o Google Maps um perigo à segurança nacional norte-americana.

O que é importante destacar é que muitos cidadãos até apóiam a censura em certos casos, desde que não seja ele a ser censurado. Assim como não existe "meio grávida", não existe "meia censura". Ou se condena o preceito de censura em si, ou se estará sempre a mercê de ditaduras diversas, sejam governamentais ou corporativas.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Andaremos de carro, mas morreremos de fome!

Em épocas de histeria em massa, as soluções para os problemas geralmente causam mais e maiores problemas, uma vez que surgem não de análises lógicas e visão de longo prazo, e sim de interesses imediatistas, localizados e, muitas vezes, espúrios.

O alarmismo catastrófico que vem sendo causado pela mídia sobre o aquecimento global colocou os biocombustíveis no patamar de "salvadores do planeta". Os álcoois - principalmente o Etanol - tornou-se a panacéia para os males da queima dos combustíveis derivados do petróleo. Tido como "combustível limpo", o Etanol vem se tornando no derivado agrícola mais disputado pelo mundo globalizado e já se prevê que, em poucos anos, poderá suplantar o petróleo em preço. O mesmo vem ocorrendo com a soja em grão, cujo óleo vem sendo utilizado em misturas com o Diesel.

Como no Projeto SILI procuramos analisar os fatos independente do que é alardeado pela mídia, vamos considerar alguns fatores do uso mundial dos biocombustíveis:

1) A combustão é um processo de oxidação. O Etanol quando oxidado gera Etanal (Aldeído Etílico/Acético) primeiramente e Ácido Acético em oxidação total. Nos motores de automóveis a combustão nunca é total - motivo da liberação do monóxido de carbono - e carros movidos a álcool liberam quantidade significativa de aldeído na atmosfera. O efeito tóxico do aldeído acético é bem conhecido no corpo humano quando ingerido, não havendo, porém, muitas pesquisas quanto à inalação do mesmo. Assim, o poder poluente dos derivados da queima incompleta do Etanol não pode ser ignorado e exige maiores pesquisas. Com certeza, o álcool não é um combustível tão limpo assim;

2) O uso do Etanol como fonte energética pode ser a maior estupidez dos últimos tempos, conforme pesquisa do Prof. Tad Patzek da Universidade de Berkeley. Segundo o geoengenheiro, em termos de combustíveis renováveis, o Etanol obtido do milho é a pior das soluções, pois chega a custar 6 unidades de energia para gerar apenas 1, não havendo grande diferença quando se trata da cana-de-açúcar. Se considerarmos que o processo de obtenção do Etanol passa pela fermentação e subsequente destilação do extrato bruto, além da utilização de máquinas agrícolas, fertilizantes, pesticidas, herbicidas, etc. e juntarmos a isso o baixo valor energético gerado pela queima do álcool, poderemos entender o que quer dizer o pesquisador;

3) A extração de petróleo não ocupa praticamente nenhum espaço em terra. Enquanto um "cavalo-de-pau" - sistema utilizado desde o início da exploração até os dias de hoje - ocupa cerca de 100 m² e é capaz de bombear milhares de barris por ano, a mesma quantidade de Etanol só seria produzida por milhares de hectares de terra agriculturável em 2 safras anuais. Se considerarmos que em alguns países como o Brasil, terras de alta fertilidade, como a terra roxa do interior paulista, estão sendo utilizadas extensivamente com canaviais ao invés de estarem produzindo grãos de valor protéico, perceberemos que a relação custo-benefício é desfavorável aos combustíveis "verdes";

4) Analisando-se dados do IBGE para a safra 2007-2008, nota-se que cerca de 50% da área plantada no Brasil já se destina apenas às cultura de soja e cana. A soja sozinha já ocupa 20,5 milhões de hectares para um total de 57,7 milhões de hectares da safra geral. Isto seria ótimo se a soja, grão de alto valor protéico, fosse consumida largamente no Brasil, porém, por motivos vários (principalmente tradicionais) usamos basicamente o óleo de soja em nossa alimentação diária, o mesmo óleo que agora usam no biodiesel, o que fez os preços dispararem em poucos anos. Afora o óleo, a soja é em sua maioria exportada, sendo um dos 3 produtos de maior valor em nossas exportações atuais, junto com o petróleo (?!) e o ferro. A mesma tabela mostra que, nesse período, enquanto cresceram as áreas plantadas de soja e cana, as áreas de feijão, arroz e trigo diminuiram!

5) Já no início de 2008, no Forum de Davos, especialistas falavam do aumento generalizado do preço dos alimentos afetando principalmente a América Latina e África. O Prof. Homem de Melo da USP considera a atual alta dos alimentos como sem precedentes na História do Capitalismo e que este ciclo de alta será permanente. A FAO - organização da ONU para a alimentação e agricultura - registrou em março de 2008 um aumento de 57% no índice de preços alimentares em relação a março de 2007, atribuindo esse aumento, entre outros fatores, à produção dos biocombustíveis.

Creio que os dados e fatos aqui relatados já são suficientemente preocupantes, apesar de muitos outros existirem, entretanto, ambientalistas fanáticos ainda insistem em defender a produção dos biocombustíveis como se esses não liberassem o mesmo CO2 por eles classificados como o vilão do planeta. Nem mesmo atentam para o fato de que, para o Brasil poder produzir suficiente Etanol para abastecer os EUA, teríamos que devastar boa parte da Amazônia (ou quase toda) para se plantar cana, e isso em um solo sabidamente impróprio para culturas extensivas.

Não estamos aqui defendendo a perenização do petróleo como matriz combustível mundial, até porque as grandes corporações petrolíferas já chegaram à conclusão de que se extrair o ouro negro para simplesmente queimá-lo é um desperdício de uma matéria-prima que poderia ser usada na petroquímica gerando produtos de muito maior valor agregado do que combustíveis em geral. O que alertamos é para os interesses embutidos nos biocombustíveis, seja por corporações ou por países (como o Brasil), sempre unicamente visando muito mais projetos de Poder do que a defesa do meio ambiente.

Como repetimos frequentemente, a saída não está em substitutos paliativos que poderão gerar a fome mundial, mas em pesquisas sérias e sem direcionamento econômico que possam viabilizar a utilização de novas fontes de energia. Já existem alguns avanços significativos em termos de energia fotovoltaica (solar) e nas chamadas "células de hidrogênio" (temas de futuro artigo), mas ainda de forma muito inicial. Infelizmente, a ONU, subsidiária do governo dos EUA, não é capaz de liderar um esforço mundial de pesquisas nesse sentido.

Portanto, leitores, não se ufanem do futuro "promissor" do Brasil como supridor mundial de Etanol, pois corremos o risco de termos os tanques cheios e a barriga vazia!