domingo, 23 de novembro de 2008

Geleiras Subterrâneas Descobertas em Marte


A nave MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA detectou vasta geleira encoberta por uma camada de fragmentos de rocha em latitudes bem inferiores às até agora identificadas.

Cientistas analisaram dados do radar de penetração da nave e divulgaram o assunto em 21 de novembro na revista Science. As geleiras subterrâneas se estendem por dezenas de milhas desde a borda de montanhas ou colinas. Uma camada de rochas fragmentadas cobrindo as geleiras pode tê-la preservado como remanescente de uma camada de gelo que cobriu médias latitudes durante a última idade do gelo marciana. Esta descoberta é similar às massivas geleiras que têm sido detectadas sob camada rochosa na Antártida.

As geleiras se situam na região conhecida como Hellas Basin, no Hemisfério Sul de Marte, porém, estruturas semelhantes foram detectadas pelo radar também no Hemisfério Norte marciano.

Este, e demais achados de água sob a forma de gelo em Marte, tornam cada vez mais possível, a médio prazo, o estabelecimento de bases habitadas em Marte, e até mesmo fortalece as teorias sobre terraformação em outros planetas.

É interessante observar que essa descoberta já havia sido "prevista" pela ficção científica no filme Total Recall, em 1990, estrelado por Arnold Schwarzenegger. No final da estória, enormes geleiras subterrâneas são vaporizadas por um mecanismo e liberam em Marte oxigênio e vapor d'água suficientes para modificar a atmosfera do planeta e torná-la respirável.

A Mars Reconnaissance Orbiter é uma nave construída com equipamentos específicos cuja missão é encontrar e mapear água/gelo no planeta vermelho.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A Crise, os Governos e os Idiotas


A imagem ao lado é de outubro de 1929, mas bem poderia ser da semana passada.

Vítima de seus próprios erros, o sistema financeiro internacional entrou em um colapso que ainda está longe de ser revertido, apesar de declarações e ações bombásticas de Governos pelo mundo, muitas delas idiotas o bastante para ignorar os fundamentos da crise e outras idiotas o bastante para piorá-la.

Apesar de ser fruto de um intrincado sistema de engrenagens globais, tentaremos dar uma idéia da origem e desenvolvimento da crise financeira de um modo que possa ser melhor entendido, sem muito "economês" ou detalhes supérfluos.

A Origem da Crise

Segundo dizem, tudo começou ano passado com a famosa "crise do subprime" nos EUA. E o que seria subprime?

Bem, o neologismo se refere a, simplesmente, empréstimos imobiliários, ou seja, algo semelhante (mas muito diferente) do nosso sistema de "compra da casa própria".

Tradicional e historicamente, a classe média americana possui 3 dívidas que compõem o orçamento de qualquer família: a hipoteca da casa, a poupança para a Faculdade dos filhos e a prestação do carro. São tais dívidas que dão característica e sustentação ao sistema econômico básico norte-americano, representando, cada uma delas, fatores imprescindíveis ao seu bom funcionamento.

A hipoteca representa a segurança e o compromisso do americano médio. Segurança quanto ao que irá pagar pelos próximos muitos anos, a juros módicos (para os nossos padrões) de cerca de 2%-5% ao ano e compromisso de manter as prestações em dia, até porque, em caso de não pagamento, a retomada é imediata. Esse sistema hipotecário movimenta quantias astronômicas e sustenta bancos comerciais, de investimentos e hipotecários.

A poupança para a Faculdade dos filhos representa o poder de economizar dos americanos. Separando razoável quantia mensal para ser depositada em um fundo que irá garantir que seus filhos possam frequentar uma Faculdade, o americano médio coloca nos bancos quantias também astronômicas por, em média, 18 anos. Lembrem-se que não existem Universidades gratuitas nos EUA e quanto maior a fama e prestígio de uma instituição, mais alto o custo de se manter um filho lá. Muito graças a essa poupança, bancos dos EUA contam com reservas polpudas para aplicações em países emergentes (como o Brasil) ou onde lhes aprouver.

A terceira dívida, a prestação do carro, representa o que realmente faz com que a economia dos EUA seja a mais forte no mundo: o consumo. Para eles, índices como inflação, reajuste de aluguéis e outros tão importante para nós, simplesmente não existem. O que importa mesmo é o Consumer Confidence Index, ou Índice de Confiança do Consumidor, que baliza a maioria das ações estratégicas financeiras. Se o americano não compra, a economia lá quebra! Atrelado a isso existe o índice de desemprego, pois afinal desempregado não compra. Nada é mais importante pra a economia americana do que seu consumo interno, nem mesmo sua Balança Comercial, pois já desde 1976 que esta vem se mostrando negativa, alcançando um déficit de mais de 700 bilhões de dólares em 2007. Basicamente, toda a produção dos EUA se destina ao seu mercado interno, muito diferente do nosso Brasil, onde nossa balança comercial é sustentada por produtos primários como grão de soja, petróleo e minério de ferro.

Mas, voltemos ao subprime. Resumindo: são empréstimos imobiliários feitos a juros maiores que a média e destinados a pessoas sem histórico de crédito ou consideradas de "alto risco" creditício. De uma maneira geral, tais empréstimos são tomados por negros e latinos interessados em ingressarem no sistema de crédito americano, os quais também são os primeiros afetados pelo desemprego.

Controlado essencialmente por judeus, o sistema financeiro dos EUA ainda agrega um componente racista em seus empréstimos. Estudo da New York University, comentado no site Brazilian Voice, mostra que a questão racial é mais preponderante do que a situação econômica no caso do subprime:


"Os dados, avaliados pelo Furman Center for Real State and Urban Policy, ilustrou disparidades raciais nas vizinhanças de New York City, onde os empréstimos subprime podem ter juros mais altos, tarifas e multas. As 10 áreas que apresentaram taxas de juros mais altas foram justamente aquelas povoadas majoritariamente por negros e latinos, enquanto que as 10 áreas com os juros mais baixos foram aquelas que tinham caucasianos como maioria."


Tal componente racista não surpreende em um sistema controlado por um dos povos mais racistas da História da Humanidade, tendo chegado mesmo ao ponto de criarem um Deus único exclusivamente para eles e que exterminaria todos os demais povos, salvando apenas os hebreus eleitos.

A Bolha

Esse sistema subprime foi criado, obviamente, pelos Bancos para atraírem mais clientes, mesmo com o alto risco embutido. Animados com uma valorização episódica do valor dos imóveis anos atrás, muitos americanos (não só os negros e latinos) entraram no sistema atrás dos altos lucros que poderiam obter com a futura venda dos imóveis. Foi a chamada "bolha imobiliária", no fundo, um espetáculo de ganância de ambas as partes: dos Bancos em busca de mais clientes a juros altos, e dos americanos em busca de um lucro rápido e fácil. Resultado: o preço dos imóveis caiu, as hipotecas não foram pagas e todos quebraram!

O Efeito Dominó

Aí voce pergunta: e o que temos nós e o resto do mundo a ver com caloteiros americanos? Muito simples: com certeza já ouviu falar em "globalização", certo? Pois bem, muito do dinheiro dos Bancos norte-americanos está investido nos chamados "mercados emergentes" (Brasil, China, Rússia e Índia, entre outros) que oferecem altas taxas de juros e lucros atraentes. Com os prejuízos que tiveram com o calote interno, esses Bancos foram obrigados a sacar tal dinheiro desses mercados. Para se ter uma idéia, 20% do capital na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) tinham origem externa há 3 meses atrás, sendo a maior parcela por grupo de investidores. Não é de se estranhar que a retirada desse capital iria derrubar a BOVESPA ou qualquer outra Bolsa de Valores com tal grau de dependência externa.

E aí tudo veio abaixo. As primeiras quebras de Bancos de Investimentos nos EUA levaram a uma corrida bancária (o maior terror de banqueiros), com depositantes sacando poupanças e depósitos que tivessem. A Europa, como grande investidora nos EUA, acabou por sentir o calote "por tabela".

O Fim do Capitalismo?

A fim de tentarem conter o pânico geral, Governos de todo o Mundo anunciaram "pacotes" de socorro aos Bancos, sem no entretanto, anunciarem medidas regulatórias saneadoras que pudessem impedir futuras crises desse (ou de outro) tipo. Assim, o que estamos vendo nos dias que passam são anúncios de trilhões de dólares a serem injetados nos sistemas de créditos, trilhões esses oriundos de impostos dos cidadãos pelo Mundo afora. Governos anunciam a compra de ações de Bancos, ou mesmo do Banco como um todo, com dinheiro público. Entramos, portanto na Era da Intervenção Estatal na Economia, tão pregada por teóricos de esquerda e tão temida por defensores da Economia de Mercado.

"O Mercado se auto regula!" Era essa a frase preferida por neo-liberais ferrenhos defensores da Economia de Mercado. Tal frase nos parece muito idiota agora, quando, ao primeiro prejuízo, o "Mercado" recorre ao Estado de pires na mão, pedindo socorro e simplesmente desaparecendo com todo o lucro que obtiveram nos últimos anos, em alguns casos, lucros recordes e estratosféricos, como os dos Bancos brasileiros.

No meio da "zorra total", aparecem figuras bisonhas como o Primeiro-Ministro italiano Berlusconi a propor um "feriado bancário mundial" ou o nosso Presidente a dizer que "a crise é uma marolinha...".

A idiotice parece ter atingido até mesmo Governos europeus tradicionalmente racionais e responsáveis, como os da Alemanha, Inglaterra, França, Holanda e todos da zona do Euro. Ao comprarem a idéia do Governo dos EUA de estatizar bancos e injetarem dinheiro de impostos em um sistema falido, estão iniciando um processo que, além de não solucionar a crise, poderá decretar a morte de todo o sistema capitalista, sem que haja alternativa proposta para o mesmo (a não ser as mesmas sandices de sempre).

A Queda do Império Americano?

Economistas, em geral, não estudam muito a História, a não ser Keynes, Marx, Adam Smith e outros de sempre. Parecem não conhecerem quase nada da história do Império Romano, ou de Roma especificamente. Não atentam para o fato que o declínio de Roma se deveu muito mais a questões sociais do que a fracassos militares ou econômicos. "Invadida" por povos de todas as províncias conquistadas, Roma se tornou a primeira metrópole multi-étnica da História. Bárbaros, Cartagineses, Núbios, Galeses, Hispânicos e outros povos dirigiram-se à capital do Império e lá se tornaram cidadãos romanos, Generais e até Imperadores, causando mudanças substanciais no status quo e no dia-a-dia romano. Já não eram as tradicionais famílias que ocupavam postos chaves no Senado, nas Legiões ou na política. Eram "imigrantes" com culturas e tradições diversas das de Roma. Até mesmo a religião romana foi tragada por uma nova seita vinda de terras do Oriente.

Será que alguém nota alguma semelhança com os dias de hoje em um certo "Império"?

Finalizando, fica a pergunta: estamos vivendo uma crise financeira ou uma crise de inteligência?


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

INCRA - O Maior Devastador da Amazônia!

Quem diz isso não são extremistas de direita contrários à Reforma Agrária e sim o próprio Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA) do Ministro Carlos Minc.

Ao mesmo tempo em que jornais pelo Brasil noticiavam que o ritmo de desmatamento na Amazônia aumentou 133% em agosto, o MMA divulgou a "Lista dos 100 maiores desmatadores da Amazônia" (pdf) na qual o INCRA (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) ocupa as 6 primeiras colocações.

No total, o INCRA desmatou 229.208,649 ha (ou 2.292,086 Km²) de 2006 a 2008, área equivalente a metade do Distrito Federal ou a toda a área urbana de Minas Gerais, tendo sido multado pelo IBAMA em mais de R$ 265 milhões, quantia que, obviamente, nunca será paga e se fosse, sairia do bolso dos brasileiros pagadores de impostos.

No site governamental do MMA, a lista já não ocupava local de destaque no dia de sua divulgação (30/set). Hoje, 1 dia após, já foi devidamente "enterrada" dentro do site.

Em seu blog no site da Revista VEJA, o colunista Reinaldo Azevedo, sob o título "A Grande Mentira" diz que:

"É fato público, notório, que o Incra é um braço do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Seu presidente, Rolf Hackbart, é um dos comandados de João Pedro Stédile, que indica também os diretores regionais. Assim, sempre que se falar em Incra, é bom ter claro que se está falando de MST."

Ainda que esse colunista possa ser taxado de desafeto de Lula/PT/esquerda, sua afirmação pode ser comprovada por entrevistas e declarações dadas pelo Sr. Hackbart, facilmente encontradas no Google, como a que atribuiu aos grandes agricultores as mortes no campo:

O presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Rolf Hackbart, atacou setores do agronegócio e conclamou toda as entidades de pequenos agricultores e trabalhadores sem terra do país para se unirem na disputa por mais verbas do Orçamento da União.
Ao falar a 9.000 militantes rurais e sociais, disse que sob a "etiqueta de agrobusiness" fazendeiros mataram sem-terra em Minas e balearam outros em Mato Grosso do Sul. "Temos de saber em que ponto vamos nos unir porque o outro lado é muito organizado, sob a etiqueta do agrobusiness."

Fonte: Radiobras

Já há tempos que vemos na TV e Imprensa em geral as ações de invasão e destruição do MST, Via Campesina e outros. Apesar de se auto-intitularem como um movimento camponês que busca a Reforma Agrária, na verdade tais grupos fazem parte apenas de uma arcaica estratégia de militantes de esquerda de desestabilizar estruturas fundiárias através da guerrilha camponesa.

Alçados a movimento popular legítimo e influente no atual governo brasileiro, tais grupos agem recrutando agricultores até mesmo por meio da força. Alguns dissidentes do movimento já foram, inclusive, mortos ("...por latifundiários", é claro). Apesar de beneficiados por polpudas verbas federais, além de máquinas, implementos e assistência técnica gratuitos, assentamentos já estabelecidos são abandonados para que "a marcha continue".

A figura abaixo consta do "Boletim Transparência Florestal no Estado de Mato Grosso nº12" divulgado no site Imazon e mostra as áreas de desmatamento do Estado brasileiro maior vítima do MST no período:




Com a divulgação de tal lista que expõe as verdades sobre o INCRA/MST, o Ministro Carlos Minc se coloca na mesma situação da ex-Ministra Marina Silva ao "peitar" os reais "gafanhotos da Amazônia". Não será surpresa se o Ministro for esvaziado ou mesmo defenestrado do Governo, como foi Marina Silva. Fica evidente, agora, quem foram os verdadeiros responsáveis pela saída da Ministra que tão bem vinha defendendo nossa Amazônia. Não foram os madeireiros, arrozeiros, plantadores de soja´, criadores de gado ou latifundiários em geral, e sim os "pobres e injustiçados trabalhadores sem-terra".

(Em tempo: O INCRA, através de seu presidente Rolf Hackbart, contesta todas as multas aplicadas pelo IBAMA).


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Voto: Direito, Dever ou Perda de Tempo?


Dando continuidade ao artigo anterior, vamos analisar uma característica do sistema eleitoral brasileiro conhecido como sistema proporcional. Pouquíssimos eleitores percebem ou entendem que, ao votarem, votam primeiramente no Partido do candidato e não no candidato em si, graças a uma fórmula matemática chamada coeficiente (ou quociente) eleitoral utilizada para a eleição de Deputados Federais, Estaduais ou Distritais e Vereadores.

Este sistema privilegia o Partido (ou coligação) muitas vezes em detrimento do candidato. São vários e constantes os exemplos de um candidato ser eleito com apenas algumas centenas de votos enquanto que outro com milhares ficar de fora.

Consideremos uma situação hipotética:

João Honesto vive em uma pequena cidade no interior do Brasil onde é padeiro. É pessoa extremamente honesta, trabalhadora e envolvida com atividades sociais de ajuda à comunidade local. É conhecido e querido por todos os moradores, tanto por sua profissão quanto por seu envolvimento comunitário.
Certa vez, um amigo disse a João Honesto: "Por que voce não se candidata a Vereador? Poderia colaborar ainda mais com a nossa cidade."

João pensou bem e, a princípio, não se interessou muito pela coisa pois era homem de bem e trabalhador, bem diferente dos políticos que conhecia. Mas como vários outros conhecidos lhe pediram para que se candidatasse, alguns com ótimos argumentos, outros com uma admiração quase de veneração, João resolveu ser candidato a Vereador.

Foi procurar os políticos na Prefeitura em busca de um Partido que o acolhesse. Os grandes Partidos não mostraram interesse pois, apesar de sua popularidade, João não tinha histórico político nem se mostrava disposto a contribuir com dinheiro para o Comitê Central da campanha desses Partidos. Além disso, os grandes Partidos já tinham seus candidatos estabelecidos, os mesmos de sempre. Quase desistindo da idéia, João foi parar em um pequeno Partido que nem iria apresentar candidato na eleição nem estava em coligação. Esse Partido aceitou registrar a candidatura de João Honesto como único candidato.

Com o início da campanha eleitoral, João continuou com seu trabalho na padaria local onde colocou alguns cartazes divulgando sua candidatura. Não fez santinhos, nem faixas, nem tinha carro-de-som.

Veio o dia das eleições. João obteve 9.000 votos. 100.000 votos eram válidos. Haviam 10 vagas de Vereador. João não foi eleito!!!

Por que??? Muito simples, por causa do coeficiente eleitoral! A distribuição dos votos ficou assim:

Coligação A - 40.000 votos
Coligação B - 30.000 votos
Coligação C - 21.000 votos
Partido do João - 9.000 votos
Coeficiente Eleitoral = 10.000 votos

Assim, a Coligação A ficou com 4 vagas, a B com 3 e a C com 2. A vaga restante ficou com a Coligação C por ter sobra do coeficiente eleitoral. Como o Partido do João, tendo apenas ele como candidato, não alcançou o coeficiente de 10.000 votos não obteve vaga na Câmara Municipal.

Como as coligações apresentaram vários candidatos, o mais bem votado delas obteve 5.000 votos e foi eleito vereador assim como o Dr. Buginganga, que teve 500 votos. E João Honesto, o mais votado da cidade com quase o dobro do segundo colocado, ficou de fora da Câmara de Vereadores.

Portanto eleitor, os cálculos hipotéticos acima se aplicam também em casos reais e que se encaixam no "outro lado da moeda", ou seja, quando um único candidato de um Partido inexpressivo consegue enorme votação alavancando outros candidatos do Partido, vide o exemplo do Deputado Federal Enéas, eleito por São Paulo. Graças ao coeficiente eleitoral de seu partido, beneficiado pelos seus quase 1,5 milhões de votos, levou consigo seis outros candidatos - um deles com 200 votos - enquanto candidatos de outros partidos que receberam 150.000 votos acabaram não sendo eleitos pois o coeficiente eleitoral do partido foi baixo.

É um sistema estúpido? Na realidade até é, mas foi concebido com a intenção de fortalecer os Partidos Políticos como instituição nacional, beneficiando a instituição e não o indivíduo, mas na prática se mostra totalmente longe da realidade brasileira na qual a grande massa da população não liga a mínima para os Partidos, até porque a grande maioria desses mudam de nome constantemente, não apresentam qualquer característica que os diferenciem dos demais e sejam vistos apenas como um antro para conchavos e maracutaias diversas.

Conclusão

Expostos os argumentos, direi agora a que conclusão e decisão cheguei após 4 décadas de observação da política contemporânea brasileira e do estudo do seu passado.

Apesar de ter participado ativamente da Campanha pelas "Diretas Já" em 1984, percebi, com o tempo, a inutilidade do voto em um país onde a cultura política se situa abaixo do "fundo do poço". O eleitorado brasileiro sempre foi, e será por um bom tempo, manipulado por oligarquias ou pela Imprensa/Mídia em geral.

A intelectualidade brasileira atual é de uma geração criada sob um regime ditatorial militar e com isso se tornou, quase que na totalidade, de orientação esquerdista, não contribuindo assim para o desenvolvimento de uma sociedade plural e verdadeiramente democrática. Ficamos todos à mercê da dualidade direita/esquerda, navegando em períodos de predominância política de uma ou de outra, sem termos um objetivo comum para o país.

Em um país de analfabetos em todos os sentidos, deixar o destino do país nas mãos de quem vende o voto em troca de 100 tijolos é, no mínimo, uma enorme irresponsabilidade. Deixar-se levar por uma Imprensa amorfa também. Hoje são raríssimos os órgãos de imprensa capazes de analisar a fundo uma situação e apresentar ao povo a verdade escondida por baixo de manchetes sencacionalistas, mesmo que consideremos a Imprensa brasileira como tradicionalmente adesista a qualquer governo, de qualquer ideologia.

Como nas sociedades modernas o poder de influência de um indivíduo é mínimo, eu como eleitor decidi, desde a derrota da emenda pelas eleições diretas, não mais ser cúmplice de um sistema e de políticos podres. Como votar nulo não altera em nada uma eleição, ao contrário, eleva o coeficiente eleitoral aumentando as disparidades acima descritas, resolvi não mais comparecer às urnas em dia de eleição. Tendo me mudado de cidade, nunca transferi meu título de eleitor nem pretendo fazê-lo, apenas localizo uma seção vazia perto de casa, entrego a justificativa de ausência e vou aproveitar o feriado do melhor jeito possível.

Portanto eleitor, se voce não quer compactuar com um processo viciado, corrupto e, muito possivelmente, fraudulento, se não quer dar respaldo numérico a bandidos travestidos de "representantes do povo", se quer poder dizer mais tarde, quando estourar mais um escândalo de corrupção, "não votei em nenhum desses canalhas", então faça como eu:

No dia dessa ou de qualquer outra eleição, VÁ PASSEAR!

É isso aí. Pegue a família e vá para outro município perto do seu, para uma cidade turística ou aprazível, vá visitar familiares, vá a praia...enfim, apenas saia do município em que vota e justifique sua ausência em qualquer seção eleitoral do outro município (a mais vazia que achar). Se não houver nenhuma cidade interessante para aproveitar o feriado próxima da sua, fique em casa mesmo ou divirta-se como puder, a multa eleitoral máxima que irá receber é de R$ 3,51 ou, caso seja um milionário, R$ 35,10. Acho muito pouco a se pagar em troca de não ficar horas em pé em uma fila ouvindo todo tipo de asneiras políticas apenas para referendar um processo espúrio.

(NOTA: Esse e os demais artigos publicados sobre o tema refletem apenas a opinião deste redator, não sendo necessariamente a mesma opinião dos demais colaboradores do Projeto S.I.L.I.)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Eleitor ou Cúmplice?


A imagem ao lado pode até ter sido um protesto de uma comunidade mas ilustra bem como funciona o processo eleitoral brasileiro. No caso, troca-se o voto por asfalto para a rua, mas muito mais comum é a troca de votos por tijolos, cestas básicas, camisetas, dentaduras e promessas variadas que vão de emprego a tratamentos médicos.

Isso é sabido e vivenciado a cada eleição, mas a mídia insiste na propaganda do voto "consciente", voto "cidadão" ou qualquer outro adjetivo da moda, ocultando a realidade brasileira.

Vamos analisar neste artigo alguns fatos que, ao menos, nos fazem questionar a validade do atual sistema eleitoral brasileiro como caminho para a construção de um país soberano, independente e próspero.

Quanto custa uma campanha?

Esta é uma pergunta difícil de responder. Alguns falam que com menos de R$ 300 mil a campanha do candidato é precária e chegam a insinuar campanhas de R$ 1 milhão para um mero vereador. Mesmo em uma pequena capital como Aracaju, os gastos mínimos de um candidato a vereador chegaria a R$ 600 mil.

Esses são números reais mas de impossível comprovação. O sistema de prestação de contas dos candidatos imposto pelos TREs/TSE é uma obra de ficção digna de Hollywood. Os candidatos são obrigados apenas a declarar o quanto gastaram em suas campanhas sem que haja qualquer fiscalização, confrontação ou cruzamento de dados por parte dos Tribunais. Algo como se a Receita Federal apenas perguntasse a um conhecido milionário o quanto ele ganhou em 1 ano e ele dissesse: "...uns R$ 10 mil...". Foi menos do que isso que o candidato Paulo Maluf declarou como gastos de campanha há uns anos atrás. Neste ano, talvez devido à inflação, o mesmo candidato elevou seus gastos de campanha para fabulosos R$ 16 mil!!!

E de onde, então, viriam tais recursos faraônicos para a campanha de um único candidato? Novamente, não existem comprovações para a origem do dinheiro apesar de existirem indícios consistentes de que venham do narcotráfico, corrupção em geral e lavagem de dinheiro ilícito. Alguns exemplos já confirmados foram as eleições de 2 policiais civis do Estado do Rio de Janeiro ligados às milícias que controlam algumas favelas cariocas. Um deles, Álvaro Lins, eleito Deputado Estadual, foi cassado e encontra-se preso. Marina Magessi, eleita Deputada Federal, está sob investigação da Polícia Federal.

Uma outra fonte de dinheiro para candidatos são as seitas evangélicas. Favorecidas pela Lei brasileira que as isenta de impostos em geral e supridas por um sistema de "dízimos" que já aceita até cartão de crédito, tais "Igrejas" já possuem extensa rede de rádios, jornais e até rede nacional de TV o que vem facilitando a eleição de expressiva "bancada evangélica" em Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional. Um dos nomes mais conhecidos nessa área é o do Senador Marcelo Crivella, sobrinho e braço-direito do "Bispo" Edir Macedo, candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Quem se candidata?

Em geral, candidatos a cargos eletivos são pessoas que já estão, de alguma forma, inseridas em esferas de Poder e desfrutam de meios que lhes deêm suporte financeiro para bancarem os altos custos de uma campanha eleitoral, como vimos acima. Mesmo pessoas sem qualquer representatividade popular logram serem eleitas utilizando-se de meios nem sempre lícitos. No Rio de Janeiro temos os exemplos já citados de Álvaro Lins (ex-Chefe de Polícia Civil), Marina Magessi (ex-investigadora de Polícia) e Marcelo Itagiba (ex-Secretário de Segurança). Esses 3 exemplos demonstram pessoas sem qualquer histórico de ações sociais ou comunitárias, sem representatividade nem mesmo entre seus pares, mas, ainda assim, eleitos "democraticamente" com a ajuda da estrutura oficial e de outras nem tanto oficiais (milícias).

Como vimos no exemplo de Aracaju, muito dificilmente uma pessoa saída do povo, mesmo com extensa história de trabalho comunitário, irá conseguir os cerca de R$ 500 mil necessários para uma campanha. Mesmo em cidades do interior do Brasil a situação não muda, pois em geral se candidatam sempre os mesmos: advogados de causas trabalhistas pró-empregado, médicos que distribuem atestados para o INSS ou funcionários de repartições públicas chaves (Correios, INSS, Posto de Saúde, etc.).

Assim, o sistema político brasileiro impede, praticamente, a renovação dos legisladores e administradores da coisa pública, beneficiando diretamente os que já estão eleitos e criando o chamado "político profissional". Ainda que a Constituição não permita mais do que uma reeleição para Prefeitos, Governadores e Presidente, o mesmo não se aplica às Casas Legislativas, fazendo com que políticos passem sua vida útil como...políticos! Também nada impede uma terceira reeleição desde que haja um hiato eleitoral entre elas ou a "eleição feudal", onde o candidato é apenas parente direto do antecessor. Foi assim no Rio de Janeiro com os 12 anos da dinastia "Garotinho" (Anthony/Rosinha) ou com o terceiro mandato do atual Prefeito César Maia.

Para quê se candidata?

A princípio, a motivação única de um candidato deveria ser a de servir à sociedade. Na realidade, sabemos que não é nada disso. Um exemplo: em Rio Bonito, pequena cidade no interior do RJ, um Deputado Estadual eleito pela região, é candidato a Prefeito. Será que como Prefeito, administrando reduzido orçamento, ele é capaz de servir à cidade mais do que na Assembléia Legislativa, onde poderia obter verbas do Estado para a cidade? Ou será que, apesar de reduzida, a verba municipal é mais fácil de ser manipulada para interesses próprios do que poderiam ser as verbas Estaduais por um Deputado que já foi cassado por ser suspeito de ser o mandante do assassinato de outro Deputado do qual era suplente?

Para muitos corruptos e criminosos em geral, o mandato parlamentar é garantia de impunidade devido à "imunidade parlamentar". Muitos se candidatam com esse objetivo. Outros querem apenas continuar ou passar a usufruir das benesses dos cargos, não só para si como para parentes, apesar da Súmula Vinculante nº 13 (anti-nepotismo) do STF.

Para os novatos, um cargo eletivo é promessa de melhora de vida, não só pelos salários e vantagens recebidos oficialmente, como também por aqueles recebidos "extra-oficialmente".

NOTA: Por acaso, foi divulgado ontem o "Ranking Mundial da Corrupção" elaborado pela entidade Transparency International onde o Brasil ocupa o meio da tabela (80º lugar entre 180 países).

Enquanto isso, no TSE...

Na cerimônia de assinatura digital dos sistemas de informática a serem usados nas eleições de 2008, dos 3 Partidos Políticos (PR, PT e PDT) que enviaram representantes técnicos, 2 (PR e PDT) se recusaram a reconhecer a segurança do sistema e a assinarem. Notem que, do calhamaço de Partidos Políticos existentes no país, apenas 3 se interessaram em conhecer os sistemas informatizados e desses apenas o Partido do Governo deu seu aval. Mesmo após 8 anos de implantada em todo Brasil, as urnas eletrônicas ainda são suspeitas de possíveis fraudes e o TSE resiste em alterar o sistema para permitir o voto impresso.

Enquanto isso o mesmo Tribunal Superior Eleitoral informa, em sua página de estatísticas dos candidatos em 2008 (aquela que estava fora do ar) haverem 285 candidatos analfabetos em todo o Brasil em claro desrespeito ao estabelecido pela Constituição Federal que considera os analfabetos como inelegíveis. Ora!! Se são inelegíveis, como o TSE aceitou e registrou suas candidaturas??! Ressalte-se que, antes de ter saído do ar, há semanas atrás este número era de cerca de 360 candidatos. Talvez alguns fossem mais analfabetos que o restante...

Portanto, caros (e)leitores, é nesse panorama que segue a "democracia" brasileira (sempre com aspas). Os exemplos que demos aqui é apenas a pontinha de um iceberg gigantesco que envolve muito, mas muito dinheiro mesmo, razão pela qual um mandato político é capaz de gerar ambições que podem resultar inclusive em mortes. E voce, eleitor, vota conscientemente? Tenho certeza que sim, pelo menos voce que está lendo esse artigo. Mas agora pergunto: e daí?? Seu voto consciente, analisado e sedimentado tem mais valor do que o voto vendido? A resposta é NÃO! O seu voto que voce levou semanas para escolher vale a mesma coisa que o voto do seu vizinho que levou R$ 100,00 por ele, afinal a regra é "1 pessoa, 1 voto", e para cada eleitor politizado, interessado, instruído e consciente existem pelo menos uns 20 que trocam seu voto por dentadura.

Voce ainda acha que ir votar é um ato de cidadania? Ou seria um ato de cumplicidade com um sistema corrompido e com candidatos-bandidos?

(Continua...)